APRESENTAÇÃO
Au Revoir Portugal! é um retrato histórico de 5 episódios, sobre a emigração portuguesa para França nas décadas de 50/60/70. Durante este período saíram do país, clandestinamente, cerca de dois milhões de portugueses. Tratou-se do maior êxodo e da maior hemorragia humana que alguma vez a História de Portugal conheceu.
Esta é portanto a história de todos esses homens que resolveram partir em busca de uma vida melhor para si e para as suas famílias, contadas na primeira pessoa. Relatos sofridos que mostram a forma dolorosa e arriscada como os portugueses partiam do país.
Esta é uma história sobre Portugal, uma história dos homens que o meu avó ajudou a levar para França, e é também a sua história e a minha, e estou certo que em qualquer outro ponto do Mundo o espectador encontrará um português com uma história parecida.
1 - SINOPSES
AU REVOIR PORTUGAL SELECCIONADO PARA O FEST!

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Entrevista na Rádio Montalegre - próximo dia 16 e 17 de MAIO
Entrevista com Carlos Domingomes, realizador de: Au Revoir Portugal!
Sábado entre as 12h00 e 13h00, repete domingo 10h00 - 11h00.
FREQUÊNCIA: 97.5 FM
OUVIR ONLINE: www.radiomontalegre.net
Au Revoir Portugal! é um retrato histórico de 5 episódios, sobre a emigração portuguesa para França nas décadas de 50/60/70. Durante este período saíram do país, clandestinamente, cerca de dois milhões de portugueses. Tratou-se do maior êxodo e da maior hemorragia humana que alguma vez a História de Portugal conheceu.
Au Revoir Portugal! é uma série de 5 documentários. AU REVOIR PORTUGAL - O Salto foi seleccionado para o Festival dos Caminhos do Cinema Português 2009, em Coimbra.
Carlos Domingomes é o principal mentor e realizador destes registos. Entrevista para ser ouvida na proxima edição do Vozes do Povo 16 e 17 de Maio.
AU REVOIR PORTUGAL seleccionado para Coimbra!

Outside de Sérgio Cruz – 15’
O Fruto Rei de Manuel Bernardo Cabral – 52’
Milho de José Barahona – 54’
6=0 Homeostética de Bruno de Almeida – 52’
Falamos de António Campos de Catarina Alves Costa – 60’
O Voo do Humbi-Humbi
O Meu Amigo Mike ao Trabalho de Fernando Lopes – 49’
Corpo Todo de Pedro Sena Nunes – 36’
Ritmos da Cidade de Luís Margalhau – 37’
Au Revoir Portugal – O Salto de Carlos Domingomes – 58
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2 - INTRODUÇÃO
E, aqueles que conseguiam, rapidamente se apercebiam que a felicidade de uma vida melhor se tornava amarga com a saudade de um país e familiares que deixavam para trás.
"Eu, evoquei os mortos, os saqueados, os famintos, os mal alojados, os “tesos”, todos os oprimidos do moderno caminho de S.Tiago de Compostela: Esses inúmeros esquadrões de homens sombrios, tímidos e taciturnos, lançados em direcção ao Ocidente industrial, à procura de uma melhor vida para eles e para as suas familias: um bocado de pão, uma pasta de chocolate e um litro de água para a refeição durante a viagem. E para acabar, o "bairro de lata" em Paris."
4 - RELATOS E HISTÓRIAS
"Não cabíamos, fomos a cavalo uns dos outros"
À noite escureceu, vai lá um homem chamar-nos: - "Vinde depressa para a estrada, vinde atrás de mim", um passador. Fomos todos de gatas à estrada. Chegamos à estrada estava lá um camião de marcha atrás encostado a uma barreira com a porta de trás aberta, um camião de gado fechado. Entrámos todos para dentro, uns a cavalo dos outros, aos empurrões. Meteram-nos dentro daquele camião. Comer nada. Não cabíamos, fomos a cavalo uns dos outros. Andámos, andámos, sem saber para onde nos levar. De noite, quando era que a gente precisava de fazer as nossas necessidades tínhamos um buraquinho redondo, no fundo do camião, no piso do camião e era ali que nos servíamos. Andámos sem destino, o camião andou sempre. Frio, fome etudo que era de ruim. Fomos lá a um povo espanhol, lá passado de Ourense, lá num sei por onde era, a gente num via era de noite dentro de um camião fechado, tanto valia ser de noite como de dia. Parou o camião, abriram-nos a porta de trás entra um homem dentro do camião: - "Fora, fora, fora" - botaram-nos todos para fora do camião aos tombos e já estava outro fora - "Vinde atrás de mim".
"Tiroteio no túnel"
Seguimos numas escadas de uma igreja, uma igreja à volta de uma povoação, um escadario alto, chegamos à coroa, pulamos o muro para fora, meteram-nos numa linha de comboio antiga, já desabitada. Entrámos num túnel, estava cheio de ervas, codeços, silvas, aquilo não era transitado. Assim que entrámos dentro da linha, os tiros de trás de nós pelo túnel dentro, uns de trás e outros da frente, era só tiros não se ouvia outra coisa. Era só fogo, quando o passador nos disse: - "Tudo para terra" - nós deitamo-nos, e - "Fiquem quietos. Até segunda ordem ninguém se mexa". O fogo parou, os passadores foram falar com quem dava o fogo, os polícias ou lá com quem foi, estivemos ali umas duas ou três horas de noite, frio, chuva, tudo, fome. Dali, desde que parou o fogo, por um bocado veio então um passador e disse assim: - "De pé e acompanhem" - toca a acompanhar todos atrás dele.
"Nós íamos mal, começamos a gritar"
Fomos um pedaço grande, já era quase dia, fomos para a estrada estava uma carrinha pequena aberta. Éramos 44 homens, nem dez lá cabiam, mas tivemos que caber todos, era a subir na estrada. A carrinha não podia connosco, nós íamos mal começamos a gritar. Um colega meu, que já morreu, começou às vergastadas com o guarda - chuva em cima da cabine do carro para o chofer parar. O chofer diz que viu que a coisa era a mais parou - "Se não quereis seguir desceide e fugi, fugi para aquela corga". Nós não podíamos ir no carro, fugimos todos do carro e metemo-nos numa corga, onde encontrámos um lameiro, não podíamos ir de pé, tínhamos que ir aos tombos de encosta.
11 - NOTA DE INTENCOES DO REALIZADOR

"quando o meu avó morreu, descobri a sua verdadeira identidade: Joaquim Gonçalves tinha sido um grande "Passador"; apercebi-me então do quanto efémera pode ser a memória humana..."
O meu nome é Carlos Domingomes. Sou filho de emigrantes e nasci em França em 1980. Lembro-me de quando criança, sempre que os meus pais faziam a viagem França-Portugal ou Portugal-França de os ver muitas vezes chorar ao chegar à fronteira de Vilar Formoso. Na altura não percebia aquela reacção. Sei hoje que choravam de alegria ao chegar, e de tristeza ao partir. Lembro-me dos fortes abraços que davam aos meus avós quando chegavam às suas terras-natal. E os fortes abraços e beijos que os meus avós me davam quando tinha de regressar para França. Lembro-me das músicas que tocavam no rádio do carro, k7s já gastas e envelhecidas de tanto serem usadas, que os meus pais ouviam repetidamente ao longo da viagem ( sobretudo Linda de Suza e Roberto Leal), e lhes faziam recordar Portugal.
Durante alguns anos da minha vida senti-me desenraizado, deslocado, sem saber onde na realidade pertencia. Em França era visto como um filho de estrangeiros. Em Portugal como um emigrante, um “português afrancesado”. Era estrangeiro não importava onde estivesse. Sentia-me deslocado e magoado por ter de viver aquela situação, sem saber realmente onde pertencia, sem saber a que terra chamar Pátria. Como eu milhares de outros jovens luso descendentes. Mas depois apercebi-me que a minha desorientação não se equiparava à grande dor que trespassava o coração e o olhar de todos aqueles que me rodeavam: os meus pais, os meus avós, os meus tios, os vizinhos, os conhecidos – os verdadeiros emigrantes desenraizados. Obrigados a deixar um país e com ele o coração. Tentei entender essa dor, esse olhar. Tentei através deles encontrar respostas para mim. Encontrei muitas histórias. Alegrias também, sobretudo onde e quando um grupo de portugueses emigrantes se junta. Descobri o quanto se consegue lutar e trabalhar, passar sacrifícios, para conseguir o dinheiro necessário para alimentar a família e um dia poder regressar. Descobri seres humanos de dimensões gigantescas, iletrados, incultos, analfabetos, brutos, mas paradoxalmente sábios, puros, sinceros, empreendedores, corajosos, com peito de criança, que desejam acima de tudo regressar um dia ao seu País-Natal e recuperar o que um dia deixaram para trás. E descobri que sou um reflexo da sua história, uma continuação, da qual, apesar das enormes dificuldades, me orgulho. Descobri que tenho o dever de não esquecer as suas histórias e de as fazer lembrar ou fazer conhecer a todos aqueles que as não viveram ou conheceram. Descobri que preciso de retratar este período da nossa história, dar às suas “personagens” a dignidade que merecem, fazer uso do meu métier para falar e fazer ouvir o misto de alegria e tristeza que é ser Emigrante português. Este projecto é claramente mais que um mero trabalho – como o poderia ser? Representa um testemunho e uma busca apaixonada, cheia de força e vontade de ir ao encontro de todas essas gentes, desses “homens sombrios, tímidos e taciturnos, lançados em direcção ao Ocidente industrial” e também, talvez, através deles e deste documento encontrar a minha verdadeira raiz. É isso que me move e me faz querer construir esta obra “Au Revoir Portugal”.
5 - FOTOGRAFIAS E CONTEUDOS AUDIOVISUAIS
6 - FILMAGENS EM MONTALEGRE

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7 - APOIOS DE ENTIDADES PUBLICO-PRIVADAS
8 - COMPRAR DVD "AU REVOIR, PORTUGAL!"

9 - NOTICIAS
No âmbito do projecto "Au Revoir Portugal!" sobre a emigração portuguesa para França, será emitida na próxima Quinta-Feira dia 31 de Julho às 13h e às 22h no programa Centrobarrosao.com da Rádio Montalegre, uma entrevista realizada ao realizador Carlos Domingomes por Fátima Teixeira. O programa repetirá no Domingo dia 3 de Agosto às 12h.
Realizador Carlos Domingomes está a filmar no Barroso Emigração a "salto" retratada em documentário
Quando o avó morreu, Carlos Domingomes percebeu o quanto é efémera a memória humana e a importância de a reter. Foi assim que o jovem realizador, residente em Lisboa, mas com raízes na Guarda, iniciou o projecto que agora está prestes a finalizar: a realização de um documentário sobre a forma como milhares de portugueses emigraram para França nas décadas de 50/60/70. Esta semana, o também professor na Escola Secundária Especializada em Ensino Artístico Antonio Arroio, em Lisboa, e filho de pais emigrantes, esteve a recolher imagens e testemunhos no concelho de Montalegre, que irão, sobretudo, servir para retratar o modo de vida de então. O contrabando será um dos temas abordados. E a aldeia de Vilar de Perdizes, onde a prática tinha grande expressão, foi um ponto de passagem do realizador. Carlos Domingomes está em negociações com a estação de televisão pública, no sentido de o trabalho vir a ser exibido em quatro episódios. Não seria a estreia do realizador no grande ecrã. Já em 2005, um outro documentário do realizador, “Lá em cima bem perto do céu”, foi exibido na RTP2, no programa Onda Curta. Em declarações ao Semanário TRANSMONTANO, Carlos Domingomes considerou que o tema “continua muito actual” e que o fenómeno da emigração está a “ressurgir”. No entanto, é de opinião que o assunto ainda é “um universo muito desconhecido” e que há ainda muita dificuldade por parte das pessoas em relembrar essas vivências. E, por isso, acredita que este trabalho seja “o mais profundo” que exista sobre a emigração para França. Por: Margarida Luzio Em SEMANÁRIO TRANSMONTANO URL: http://www.semanariotransmontano.com/noticia.asp?idEdicao=148&id=6410&idSeccao=1897&Action=noticia |

O realizador Carlos Domingomes escolheu Montalegre como cenário de um documentário sobre emigração a salto. O novo filme de Domingo chama-se "Au Revoir Portugal" e quer mostrar a forma dolorosa e arriscada como os portugueses saíam do país, rumo a França nas décadas de 50, 60 e 70.
Em declarações ao Rádio Clube, o realizador explica que a ideia de fazer um documentário sobre o tema ganhou consistência há cinco anos atrás, depois da morte do avô, um passador de emigrantes.
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