FESTIVAIS

FESTIVAIS

APRESENTAÇÃO

"Au Revoir Portugal! é um retrato histórico de 5 episódios, sobre a emigração portuguesa para França nas décadas de 50/60/70. Durante este período saíram do país, clandestinamente, cerca de dois milhões de portugueses. Tratou-se do maior êxodo e da maior hemorragia humana que alguma vez a História de Portugal conheceu.

Esta é portanto a história de todos esses homens que resolveram partir em busca de uma vida melhor para si e para as suas famílias, contadas na primeira pessoa. Relatos sofridos que mostram a forma dolorosa e arriscada como os portugueses partiam do país.

Esta é uma história sobre Portugal, uma história dos homens que o meu avó ajudou a levar para França, e é também a sua história e a minha, e estou certo que em qualquer outro ponto do Mundo o espectador encontrará um português com uma história parecida. "

Carlos Domingomes

AU REVOIR PORTUGAL! - Porquê?


AU REVOIR, PORTUGAL! – As razões...

Entre 1958 e 1974, 1,5 milhões de portugueses abandonaram o seu país. Só em 1973 foram 123 mil. No ano seguinte, mesmo após todas as restrições à emigração por toda a Europa, saíram do país 71 mil pessoas. Fugiam da guerra das Colónias, da fome, da pobreza, da repressão. O principal destino: a França. A mala de cartão era tudo o que levavam, pois na verdade não tinham mais nada.

O Decreto-Lei nº 39749 de 1954 classificava a emigração clandestina como um crime, estabelecendo sanções penais e atribuindo à PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) competências para a reprimir.

 A emigração portuguesa, durante este período, ainda está por estudar em toda a sua extensão e implicações. Foi um período negro da história de Portugal que afectou sobretudo a população mais carenciada, de província, mas a uma escala sem precedentes. Guarda, Viseu, Castelo Branco, Montalegre, Minho, as terras de onde saíram a maior parte dos portugueses em direcção às fronteiras com Espanha, nomeadamente à de Vilar Formoso. Ao partir, essas pessoas levavam consigo a esperança de conseguir uma vida melhor, deixando para trás os filhos, as mães, as esposas, a sua Pátria. Endividavam-se para poder pagar a viagem. Partiam durante a noite, às escondidas, por terras desconhecidas, na tentativa de dar o “salto”. Fugiam a pé, juntando-se a grandes grupos guiados por “passadores”. Fugiam da PIDE, da Guardia Civil Espanhola, dos Gendarmes franceses, pondo em risco a própria vida. Muitos deles não chegavam ao destino – eram enganados pelos passadores, morriam de frio ou fome, caiam por uma ravina, eram mortos ou capturados e reenviados para Portugal onde lhes esperavam severas punições por parte da PIDE…

E, aqueles que conseguiam, rapidamente se apercebiam que a felicidade de uma vida melhor se tornava amarga com a saudade de um país e familiares que deixavam para trás.

O presente documentário visa sobretudo prestar tributo a essas gentes, nossos conterrâneos, que têm uma história para nos contar: uma história de traços humanos inimagináveis, vivida na primeira pessoa. Homens que foram retratados por Christian Rudel, jornalista do jornal La Croix, em 9/11/1966, do seguinte modo: 

"Eu, evoquei os mortos, os saqueados, os famintos, os mal alojados, os “tesos”, todos os oprimidos do moderno caminho de S.Tiago de Compostela: Esses inúmeros esquadrões de homens sombrios, tímidos e taciturnos, lançados em direcção ao Ocidente industrial, à procura de uma melhor vida para eles e para as suas familias: um bocado de pão, uma pasta de chocolate e um litro de água para a refeição durante a viagem. E para acabar, o "bairro de lata" em Paris."

Continue lendo...

SINOPSES


SINOPSES POR EPISÓDIO

- O Passador de Homens
- O Salto
- Ganhar a Vida
- Regressar
- Au Revoir!



AU REVOIR PORTUGAL – O Passador de Homens
(série documental - episódio #1)
Duração: 55 minutos

O meu nome é Carlos Domingomes. Nasci em França em 1980. A minha história é idêntica á de muitos portugueses. Os meus avós e os meus pais emigraram para França na década de 60 e 70. Em 1983, quando eu tinha apenas 3 anos de idade, os meus pais resolveram regressar a Portugal. O resto da família manteve-se em França, até aos dias de hoje. 

Vinte anos depois, em 2003, o meu avô faleceu. E foi só após a sua morte que descobri a sua verdadeira história: que Joaquim Gonçalves tinha sido um dos maiores passadores de homens a salto para França durante a ditadura Salazarista. Tinha passado milhares de homens, conterrâneos, desesperados, pobres, em busca de uma vida melhor para si e para as suas famílias, numa época em que sair do país sem autorização, era punido como crime muito grave.

O presente episódio pretende retratar esse período em que Portugal vivia uma ditadura, uma guerra colonial e uma extrema pobreza rural. Fugir ao regime, à guerra ou à miséria, era a única solução para milhares de homens e mulheres provenientes de diversos pontos do País. Mas para poderem sair de Portugal precisavam do então conhecido "passaporte de coelho" - uma fotografia rasgada, doze contos, e um Passador que os levaria na viagem das suas vidas... muitas vezes a última.  





AU REVOIR PORTUGAL – O Salto
(série documental - episódio #2)
Duração: 59 minutos


Entre 1958 e 1974 cerca de dois milhões de portugueses abandonou o seu país. Só em 1973 foram 123 mil. No ano seguinte, mesmo após todas as restrições à emigração por toda a Europa, saíram do país 71 mil pessoas. Fugiam da guerra das Colónias, da fome, da pobreza, da repressão. O principal destino: a França. 

A mala de cartão era tudo o que levavam, pois na verdade não tinham mais nada. Fugiam pela calada da noite, em grupo. Ao longo do caminho juntavam-se a outros grupos de homens, também eles fugitivos, provenientes de outros pontos do País e de outros Passadores. A viagem em Espanha era feita a pé, na bagageira dos carros, por baixo da palha dos camiões de porcos, em camionetas sobrelotadas. Ao chegar aos Pirinéus Franceses os grupos podiam chegar a ser constituidos por mais de 400 homens. Muitos deles nunca chegaram a passar a fronteira. Morreram de fome, sede, frio, doença. Perderam-se. Afogaram-se. Caíram. Foram mortos pelos próprios Passadores ou pelos carabineiros espanhóis.

A viagem de fuga, de duração indefinida, era conhecida como “O Salto”. Pela frente esperavam-lhes duas fronteiras, a PIDE, a Guarda Fiscal Portuguesa, a Guarda Civil Espanhola, os Gendarmes Franceses, e 2.000 Km feitos a pé.







AU REVOIR PORTUGAL – Ganhar a Vida
(série documental - episódio #3)
Duração: 63 minutos


Num artigo do jornal La Croix, escrito por Christian Rudel, em 1966 pode ler-se o seguinte excerto sobre a emigração portuguesa para França: “Eu, evoquei os mortos, os saqueados, os famintos, os mal alojados, os “tesos”, todos os oprimidos do moderno caminho de S. Tiago de Compostela. E esses inúmeros esquadrões de homens sombrios, tímidos e taciturnos, lançados em direcção ao Ocidente Indústrial, à procura de uma melhor vida para eles e para as suas famílias: um bocado de pão, uma pasta de chocolate e um litro de água para a refeição durante a viagem. E para acabar, o “bairro de lata” em Paris”

O presente episódio é um retrato e um testemunho dos homens e mulheres que chegando a França - a terra então prometida - se depararam com uma realidade bem diferente da que lhes tinha sido apresentada. Descidos do comboio que os levou à Gare de Austerlitz (Paris) era agora preciso encontrar abrigo, um emprego e os respectivos papéis para a legalização. Mas os problemas da língua, da cultura, das condições meteorológicas, das saudades, da discriminação e da integração eram demasiado cruéis para que o Sonho de uma vida melhor pudesse ser assim tão simples. 



AU REVOIR PORTUGAL – O Regresso
(série documental - episódio #4)
Duração: 62 minutos

Eis-nos chegados ao mês de Agosto. Mês do calor, dos emigrantes, das festas de aldeia, dos incêndios florestais, das procissões, das bebedeiras.
 
Em 1992 foram cerca de 22.800 emigrantes a regressar a Portugal. Em 2009 estima-se que sejam apenas 8.000. A maioria dos emigrantes teve filhos e netos que nasceram em França, e estes filhos/netos integraram-se completamente: vão à escola, tem a sua profissão, falam perfeitamente o francês. 

Os emigrantes misturam os idiomas, vivem um estilo de vida que Portugal não lhes consegue oferecer, esbanjam as poupanças de todo um ano de trabalho num mês de euforia. Mas, como verdadeiros Portugueses,  maldizem compulsivamente Portugal, derramam o seu sangue luso nas pegas de bois, e todos sonham um dia regressar. 

Quando chega a hora da reforma encontram-se divididos. Muitos partilham o tempo entre Portugal e a França. Muitos sentem que têm uma dupla identidade: portuguesa e francesa. 
Estão definitivamente ligados a esse país que os acolheu.




AU REVOIR PORTUGAL – Au Revoir!
(série documental - episódio #5)
Duração: 50 minutos

Qual é a minha história? De onde venho e para onde vou? O que é ser-se emigrante? O que é ser-se português? 

Durante alguns anos da minha vida senti-me desenraizado, deslocado, sem saber onde na realidade pertencia. Em França era visto como um filho de estrangeiros e em Portugal como um emigrante, um “português afrancesado”. Era estrangeiro não importava onde estivesse.

Vinte e quatro anos depois da partida, resolvo percorrer as mesmas estradas que os meus pais em 1983 deixaram para trás pela última vez. Parto em busca de respostas. Parto em busca dos mais jovens, dos luso-descendentes. Parto em busca das memórias, das nossas histórias, das nossas raízes. Mas será que a partida é apenas um Au Revoir?...

Continue lendo...

Imprensa

"Neste género maior do cinema, sobressaíram trabalhos como “Au Revoir Portugal – O Salto” de Carlos Domingomes, sobre os homens e mulheres que nos anos 60 e 70 passaram a salto a fronteira em busca de uma vida mais desafogada em França"
Isabel Santos - Caminhos do Cinema Português 2009
http://www.caminhos.info/
http://www.fm-media.net/news05/1935.html

ÚLTIMOS COMENTÁRIOS - DEIXE TAMBÉM O SEU

CAIXA DE MENSAGENS CURTAS

!-- BEGIN CBOX - www.cbox.ws - v001 -->

SEGUIDORES