"Não cabíamos, fomos a cavalo uns dos outros"
À noite escureceu, vai lá um homem chamar-nos: - "Vinde depressa para a estrada, vinde atrás de mim", um passador. Fomos todos de gatas à estrada. Chegamos à estrada estava lá um camião de marcha atrás encostado a uma barreira com a porta de trás aberta, um camião de gado fechado. Entrámos todos para dentro, uns a cavalo dos outros, aos empurrões. Meteram-nos dentro daquele camião. Comer nada. Não cabíamos, fomos a cavalo uns dos outros. Andámos, andámos, sem saber para onde nos levar. De noite, quando era que a gente precisava de fazer as nossas necessidades tínhamos um buraquinho redondo, no fundo do camião, no piso do camião e era ali que nos servíamos. Andámos sem destino, o camião andou sempre. Frio, fome etudo que era de ruim. Fomos lá a um povo espanhol, lá passado de Ourense, lá num sei por onde era, a gente num via era de noite dentro de um camião fechado, tanto valia ser de noite como de dia. Parou o camião, abriram-nos a porta de trás entra um homem dentro do camião: - "Fora, fora, fora" - botaram-nos todos para fora do camião aos tombos e já estava outro fora - "Vinde atrás de mim".
"Tiroteio no túnel"
Seguimos numas escadas de uma igreja, uma igreja à volta de uma povoação, um escadario alto, chegamos à coroa, pulamos o muro para fora, meteram-nos numa linha de comboio antiga, já desabitada. Entrámos num túnel, estava cheio de ervas, codeços, silvas, aquilo não era transitado. Assim que entrámos dentro da linha, os tiros de trás de nós pelo túnel dentro, uns de trás e outros da frente, era só tiros não se ouvia outra coisa. Era só fogo, quando o passador nos disse: - "Tudo para terra" - nós deitamo-nos, e - "Fiquem quietos. Até segunda ordem ninguém se mexa". O fogo parou, os passadores foram falar com quem dava o fogo, os polícias ou lá com quem foi, estivemos ali umas duas ou três horas de noite, frio, chuva, tudo, fome. Dali, desde que parou o fogo, por um bocado veio então um passador e disse assim: - "De pé e acompanhem" - toca a acompanhar todos atrás dele.
"Nós íamos mal, começamos a gritar"
Fomos um pedaço grande, já era quase dia, fomos para a estrada estava uma carrinha pequena aberta. Éramos 44 homens, nem dez lá cabiam, mas tivemos que caber todos, era a subir na estrada. A carrinha não podia connosco, nós íamos mal começamos a gritar. Um colega meu, que já morreu, começou às vergastadas com o guarda - chuva em cima da cabine do carro para o chofer parar. O chofer diz que viu que a coisa era a mais parou - "Se não quereis seguir desceide e fugi, fugi para aquela corga". Nós não podíamos ir no carro, fugimos todos do carro e metemo-nos numa corga, onde encontrámos um lameiro, não podíamos ir de pé, tínhamos que ir aos tombos de encosta.


1 comentário
ola!boa noite li o seu anuncio e como sou filha de emigrantes decide
escrever-lhe.
bem a minha historia nao é uma coisa muito tocante mas foi passos da minha
vida.os meus pais imigraram para a alemanha á procura de melhores condicoes de
vida e fizeram por mts anos la ,uma parte da sua vida.
dessa imigracao nasceram 2 meninas ou seja eu com 15 anos e nome Sandra e outra
menina minha irma com nome de Bianca e com 12 anos.
meus pais voltaram a portugal o meu pai depois de 21 anos imigrante e a minha
mae com 7anos e meio.
bem eu knd xeguei a portugal tinha 5 anos ainda era uma crianca e custoume ao
principio adaptar-me a este pais.
desde smp soube o portugues e ja tnha conhecido portugal pk vinha de ferias.
so sei é k sinto mts saudades da alemanha porque foi la onde nasci,dei os meus
1ºos passos ,aprendi a falar ou seja foi la onde aprendi o k é a vida.custumo
ir alguns anos pelas ferias visitar o meu pais natal....e sinto uma felicidade
enorme e sinto forcas para lutar pelos meus objectivos knd la estou, pk sinto k
estou em casa sinto k o meu mundo é akele.
mas nao posso fazer do meu pais a minha cas pk é em portugal k tnho os estudos
os meus amigos a minha familia e uma parte consciente da minha vida.talvez mais
tarde voltarei ao meu pais porke sinto necessidade de poder ser feliz numa
sociedade k me viu "nascer".
como tnho pouco para contar, deixo um pouco do k é nascer noutro pais...
a minha conclusao é k kem se agarra e tem carinho pelo seu pais e respeito por
ele sera dificil ou mesmo impossivel trocalo seja porke pais for mesmo sendo
melhor a nivel de condicoes.
para mim portugal é o meu novo mundo k irei á descoberta mas jamais irei
eskecer-me e abandonar o meu pais, o meu ponto de partida para este mundo.e
respeitarei e julgarei o meu pais natal sempre de uma maneira orgulhosa.
é so o k tnho para contar.
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